Gráfico de Controle: como usar e importância das variações
Gráfico de Controle: como usar e importância das variações
O Gráfico de Controle é mais uma ferramenta voltada ao controle estatístico dos processos. Ele está presente na rotina de milhares de empresas e faz parte das famosas 7 Ferramentas da Qualidade, reunidas por Kaoru Ishikawa.
Geralmente, as ferramentas estatísticas costumam ter menos atenção, seja por sua dificuldade de aplicação ou por não se encaixarem a todos os contextos. Entretanto, conhecê-las faz parte do know-how do Profissional da Qualidade, assim como expande nossa consciência para o universo dos fatos e dados.
Por isso, hoje vamos falar um pouco sobre essa ferramenta, sua utilidade e algumas curiosidades. Bem como sobre como ela é importante e bem mais fácil do que parece. Então, fica comigo!
Quem criou o Gráfico de Controle?
O Gráfico de Controle tem origem no pioneiro dos Gurus da Qualidade: Walter Andrew Shewhart! Inclusive por isso, é possível encontrar literaturas que se referem à ferramenta como Gráfico de Shewhart.
O Gráfico de Controle surgiu para auxiliar o C.E.P. (Controle Estatístico de Processos). Sua primeira menção acontece em 1924, em um memorando em que Shewhart apresentava dados estatísticos para seu então superior na Bell Labs (“Laboratórios Bell”).
O memorando continha apenas 1 página, o que prova que Qualidade não tem a ver com milhares de páginas e documentos infinitos. Nele, Shewhart apresentava o Gráfico e explicava seus limites e variações especiais.
E assim, com uma pequena página, uma das mais importantes ferramentas da Qualidade foi criada. (E a gente aqui sofrendo para explicar que certificado é resultado, não causa 🥲)
Como funciona a Carta de Controle?
Antes de continuar, vale dizer que essa ferramenta também é conhecida como Carta de Controle, nome até mesmo mais comum no dia a dia das empresas. E seu funcionamento, apesar de parecer complexo, é um tanto simples.
No geral, temos um gráfico cartesiano em que no eixo X coletaremos algum indicador de qualidade, enquanto no Y mediremos o tempo. A isso, somamos alguns fatores específicos, sendo eles:
- LSC: Limite Superior de Controle;
- LIC: Limite Inferior de Controle;
- M: Média.
A partir desses fatores, iremos coletar e posicionar os indicadores no gráfico. Com isso, conseguimos entender estatisticamente como o processo tem se saído. Aqui, apenas compreenderemos as variações do processo, não necessariamente se ele é bom ou ruim.
Ao desenharmos esses dados e posicionarmos limites e média, chegaremos a um gráfico mais ou menos assim:

Interpretando o Gráfico de Controle
Com o gráfico pronto, podemos passar para a interpretação dos dados. Perceba que a ferramenta posiciona vários pontos de controle ao longo do tempo, fruto das coletas de algum Indicador de Qualidade.
No geral, esses pontos posicionam-se entre os limites de controle (LSC e LIC), o que significa certa instabilidade dentro dos padrões de execução. Entretanto, perceba que alguns pontos extrapolam os limites, sendo 1 acima do Limite Superior de Controle (LSC) e 3 abaixo do Limite Inferior de Controle (LIC). Isso significa que de todas as coletas, 4 estão fora dos limites pré-estabelecidos.
Causas comuns e Causas Especiais
Perceba que o gráfico varia em todos os pontos de controle (linha azul), o que é normal. Afinal, a variação sempre ocorrerá. O que precisamos entender é quando essa variação é comum, dentro dos limites do processo; e quando ela extrapola os limites.
Neste caso, chamaremos cada ponto de controle de “Causa”, variando entre causas Comuns e Especiais. Assim:
- Causa Comum: pontos de controle que ficam dentro do esperado, dentro dos limites de controle (LSC e LIC);
- Causa Especial: pontos de controle que extrapolam os limites estatísticos, ficando fora dos limites de controle (LSC e LIC).
No geral, o que nos causará atenção e requisitará ações são as Causas Especiais, pois demonstram que os processos estão se desestabilizando e saindo fora dos limites de reprodutibilidade e padronização.
Abaixo, exemplifiquei as Causas Comuns em verde e as Causas Especiais em vermelho. Se liga:

Quando usar o Gráfico de Controle?
O principal objetivo das Cartas de Controle é monitorar e controlar o processo, buscando entender sua variabilidade. Assim, podemos atuar nos pontos que extrapolam o controle e trabalhar para termos mais estabilidade. A ideia, portanto, é entender como o processo funciona e atuar em pontos que estiverem fora dos limites.
Um dos aspectos que moldam a criação do Gráfico de Controle é a compreensão de que 100% de estabilidade não existe. Shewhart, à sua época, percebeu que atuar em todos os pontos de controle, buscando uma linha perfeita de variação, apenas contribuía para criar mais instabilidade. Assim, o ideal é trabalhar no que extrapola os limites LIC e LSC. Podemos aplicá-lo:
- Em processos repetitivos de média e larga escala;
- Quando temos muitos dados coletados em várias frequências;
- Para evidenciar controle (em auditorias, por exemplo);
- Para prever problemas de forma estatística.
Por outro lado, vale dizer também que essa ferramenta NÃO serve para processos únicos ou executados de forma muito esporádica. Assim como não funcionará em atividades, tarefas ou etapas sem um padrão claro definido.
Por fim, precisamos compreender que tentar comparar áreas ou pessoas por meio das Cartas de Controle é um grande erro. Essa ferramenta atua sobre a variabilidade, não sobre a execução e capacitação.
Dessa forma, ao tentar incluir pessoas, acrescentamos também o erro humano e a variabilidade natural das pessoas. Isso “polui” os dados, culpabilizando ao invés de analisar, e faz com que os resultados não sejam confiáveis. Assim, provavelmente, levarão mais ao erro na tomada de decisões.
Variações como reforço na padronização
Algo que compreendemos e buscamos é que a Qualidade visa, em síntese, a padronização. A padronização, por sua vez, quando trabalhada, leva à Qualidade e melhoria. Por isso as Cartas de Controle são tão interessantes. Elas não visam ignorar a variação, não tentam fingir uma linha perfeita de execução.
O Gráfico de Controle organiza e evidencia a estabilidade do processo, levando em conta suas variações. Ele entende que há variações que buscamos, aquelas que vão levar à conformidade que buscamos. Entretanto, demonstra também o que foge ao equilíbrio, ou seja, as variações que extrapolam os limites e colocam o processo em risco.
Portanto, nesse contexto, a Carta de Controle se torna uma aliada da padronização consciente, não rígida. Ela nos ensina que Qualidade não é ausência de variação, mas domínio sobre ela. Ao revelar quando o processo está estável e quando algo foge do comportamento esperado, a ferramenta direciona o olhar para onde realmente importa, evitando correções impulsivas e esforços mal direcionados.
Mais do que um gráfico, a Carta de Controle é um convite à maturidade do sistema de gestão. A aceitar as variações naturais, aprender com elas e agir apenas quando o processo dá sinais claros de desequilíbrio. Assim, a padronização deixa de ser um engessamento e passa a ser um alicerce sólido para a melhoria contínua, sustentando decisões mais inteligentes, processos mais previsíveis e resultados mais confiáveis.
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