Da teoria à prática: como Peter Drucker se aplica ao dia a dia da Qualidade?
Da teoria à prática: como Peter Drucker se aplica ao dia a dia da Qualidade?
Peter Drucker é uma das figuras mais importantes da gestão empresarial. É praticamente impossível estudar gestão, trabalhar com ela ou fazer uma faculdade na área sem se deparar, no mínimo, com alguma de suas icônicas frases. Muitas delas, inclusive, renomeadas e até mesmo atribuídas a outros autores.
“Se você quer algo novo, você precisa parar de fazer algo velho” (Peter Drucker)
Essa, por exemplo, está presente em todo canto. De qualquer forma, sabemos que ele não foi necessariamente um dos chamados “Gurus da Qualidade”. Assim, poucos atribuem a ele contribuições nessa área, mas será que seus ensinamentos estão tão distantes do que fazemos dia a dia?

Hoje, veremos algumas teorias de Peter Drucker que podem facilmente ser aplicadas à Gestão da Qualidade. Algo que, inclusive, prova que a gestão é muito mais ampla do que os nichos que criamos. Para isso, escolhi algumas frases icônicas do Drucker, algo que resume bem os ensinamentos do mestre. Então, bora lá!
“O que pode ser medido pode ser melhorado” (Peter Drucker)
Podemos até mesmo confundir essa famosa frase de Peter Drucker com outra de William Edwards Deming: “Não se gerencia o que não se mede”. Além disso, já aqui percebemos 2 focos muito presentes na rotina de qualquer profissional da Qualidade.
Primeiro, Drucker enfatizava a importância das métricas e indicadores, de “medir” as coisas. Isso nos leva a uma gestão orientada por fatos e dados, não por achismos, vaidade e incertezas.
Para ele, indicadores, análise de desempenho, monitoramento de processos e tomada de decisão baseada em dados são o cerne de qualquer boa gestão. Ou seja, ao seguir Peter Drucker, falamos sobre estar conforme ao 6º Princípio da Qualidade: “Tomada de decisão baseada em evidências”.
Indo além, Drucker foi um grande incentivador da melhoria de processos. A frase, inclusive, demonstra isso, pois a medição e monitoramento servem a um propósito: melhorar as coisas. Assim, tanto ele quanto a Gestão da Qualidade focam em ter uma empresa que é melhor, mais eficiente e produtiva.
“Não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo” (Peter Drucker)
Drucker também foi um grande defensor do Management by Objectives (MBO), ou traduzindo, da Gestão por Objetivos!
Para ele, as empresas precisavam definir claramente onde queriam chegar e, então, definir objetivos claros para realizar esse futuro. A partir disso, podemos não só direcionar nossos recursos e esforços para o que queremos alcançar, como também medir se tudo está, de fato, nos levando para os objetivos definidos.
Trazendo para o contexto da Qualidade, a própria ISO 9001 incentiva a definição dos Objetivos da Qualidade, lá no requisito 6.2. E ainda nesse requisito, nos incentiva a fazer o “planejamento para alcançá-los”. Entretanto, não se engane, estes objetivos, nada mais são do que formas estratégicas de apoiarmos a empresa e o que ela espera alcançar.
Dessa forma, o proposto na MBO de Drucker e os Objetivos da Qualidade são exatamente a mesma coisa. Além disso, já deixo uma dica: se os objetivos definidos no seu SGQ não ajudam a empresa a alcançar os resultados estratégicos, apague tudo e redefina!
“Não há nada tão inútil quanto fazer com grande eficiência algo que não deveria ser feito” (Peter Drucker)
Por muito tempo, a gestão empresarial se preocupou em acelerar as coisas. Assim, focávamos apenas em fazer mais rápido o que já fazíamos, o próprio Estudo de tempos e movimentos (de Frederick Taylor) é uma prova disso.
Entretanto, Peter Drucker percebeu o quão perigoso isso podia ser, indicando o quanto é importante focar em resultados, não em atividades. Ele foi um dos primeiros a insistir que atividade não é sinônimo de resultado e, mais que isso, que eficiência sem eficácia é desperdício.
Imagine, por exemplo, maximizar a eficiência de um processo que entrega algo que está encalhado, que não vendemos. Neste caso, portanto, estaríamos otimizando o prejuízo. Esta visão está completamente ligada à Qualidade. Imagine, por exemplo, quando falamos em criar documentação.
Não criamos documentos para sustentar o Setor da Qualidade ou o Certificado na Parede, mas para apoiar o processo e torná-lo melhor. Da mesma forma que, para nós, Indicadores de desempenho e Avaliação de processos não são para punir e vigiar, mas sim para nos mostrar onde erramos e como podemos melhorar as coisas.
“A única fonte de lucro é o cliente” (Peter Drucker)
Por fim e ainda mais importante, Drucker era o maior de todos os incentivadores do Foco no Cliente! Para ele, o cliente estava no centro de tudo, uma vez que é ele quem paga a conta. Sem clientes, não há faturamento, não há feedback de como melhorar, não há como sustentar a empresa e, portanto, não há motivo de existir.
Na Gestão da Qualidade é a mesma coisa! Inclusive, o Foco no Cliente está na ISO 9001, no requisito 5.1.2. Aqui, a ideia maior é “aumentar a satisfação do cliente”, assegurando faturamento, lucros e propósito. Diversas são as partes interessadas de um negócio (stakeholders), mas o cliente é a mais importante delas!
Podemos até mesmo dizer que Drucker estava um pouco à frente nesse quesito, para ele “O propósito de uma empresa é criar um cliente”. Essa frase mostra muito de como o mercado evoluiu. Ela “resume” o que Drucker acreditava e ressalta a importância de anteciparmos tendências e até mesmo de as criarmos.
Isso tudo focando em garantir que o centro de tudo, o cliente, receba sempre o melhor. (esse pensamento, isoladamente, merece um artigo completo, pois é algo muito revolucionário, principalmente na época de Drucker)
Gestão da Qualidade 360º – uma visão completa!
O grande Peter Drucker nos ensinou que gestão não é fazer mais, é fazer o que realmente importa. E, na Qualidade, isso significa ir além da conformidade e transformar o SGQ em um sistema orgânico, vivo, que orienta decisões, prioriza esforços e gera valor real para quem mais precisa dele: as partes interessadas.
Drucker, assim como nós, acreditava em uma visão holística que olha para o todo antes de qualquer decisão. A isso damos o nome de Gestão da Qualidade 360°. E para disseminar esse conceito, criamos o Playbook 360º da Gestão da Qualidade!
Esse material é muito mais que um compilado de ferramentas, é um guia prático para planejar, analisar, agir e inovar, mesmo com a agenda cheia e o tempo curto. Um material pensado para quem precisa sair do operacional reativo e assumir o controle estratégico da Qualidade.
Se você busca menos retrabalho, mais clareza, equipes engajadas e resultados mensuráveis, este playbook é o seu plano de voo para 2026. Então, clique no botão abaixo e vamos juntos transformar Qualidade em resultado!
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Um homem à frente de seu tempo, mas antenado ao presente
Peter Drucker elevou o nível da gestão ao infinito e moldou muito do que conhecemos como gestão moderna, quebrou paradigmas e nos fez pensar nas empresas e no trabalho de forma única.
Seus ensinamentos são fruto da convergência de pensamentos de uma época fascinante. Drucker, Juran e Deming são contemporâneos, viveram neste planetinha azul no mesmo período:
- Peter Drucker nasceu em 1909 e nos deixou em 2005;
- Josep Moses Juran nasceu em 1904 e nos deixou em 2008;
- William Edwards Deming nasceu em 1900 e nos deixou em 1993.
Quando estudamos a fundo esses autores, percebemos que eles compreenderam tão bem seu tempo que conseguiram entender o futuro. Eles criaram metodologias, técnicas, conceitos e teorias que vigoram muito além deles próprios.
Esse trio entendeu que a gestão é uma forma de melhorar vidas, uma necessidade existencial!
Mesmo sendo autores diferentes, com pensamentos e rotinas próprias, tudo o que eles pregam converge para uma mesma linha lógica. Como é o caso da importância do cliente:
- “O cliente é a parte mais importante da linha de produção” (Deming)
- “Qualidade quer dizer utilidade. A utilidade é definida pelo cliente” (Juran)
- “O objetivo do marketing é […] compreender o cliente tão bem que o produto ou serviço se adapte a ele e se venda sozinho“. (Drucker)
Assim, acredito que o maior legado de Drucker é o que mais buscamos na Qualidade: uma gestão sem fronteiras. Algo que corresponda não a um setor ou tarefa, mas que busque compreender o todo e aliar, então, teoria e prática, conceito e ação, necessidade e entrega.
Isso tudo, é claro, garantindo que todos os envolvidos na Cadeia de Valor recebam aquilo que precisam, que os processos “se adaptem” a TODOS que dele necessitam! E esse é, sem dúvidas, o maior de todos os desafios da Gestão!







